YouTube e redes sociais . Novos espaços de aprendizagem informal

Uma grande parte do mundo adulto há alguns anos está se perguntando: O que é que os adolescentes estão fazendo com os meios de comunicação? e Como aprenderam a fazer essas coisas?. Ambas as perguntas ocuparam durante três anos o trabalho de cerca de 50 pesquisadores no projeto europeu Transmedia LiteracyExploiting transmedia skills and informal learning strategies to improve formal education.

O objetivo consistiu em estudar as práticas colaborativas dos adolescentes no âmbito das narrativas transmídia (produção de conteúdos por parte de jovens usuários, cultura de fãs, vídeo games, participação em redes sociais etc.) e, sobretudo, as transmedia skills que estão sendo geradas a partir dessas práticas.

O projeto foi desenvolvido em oito países diferentes, entre eles, Espanha, Uruguai e Colômbia, combinando diversas metodologias de estudo (enquetes, workshops participativos, entrevistas em profundidade…). A seguir, detalhamos alguns dos resultados mais relevantes:

O que os adolescentes estão fazendo com os meios de comunicação?

Os adolescentes estão fazendo muitas coisas com os meios de comunicação, desde jogar vídeo game com amigos até escrever fan fiction, compartilhar fotos no Instagram, ver e publicar vídeos no YouTube etc. A equipe do projeto Transmedia Literacy definiu estas habilidades como “habilidades transmídia”, ou seja, uma série de habilidades relacionadas com a produção, o intercambio e o consumo de meios interativos digitais (usar ferramentas para desenhar e realizar projeto, modificar software e hardware, criar vídeo games ou participar em redes sociais) . No estudo, identificaram cerca de 44 habilidades principais e 190 secundárias.

Alfabetismo Transmídia

Algumas das habilidades detectadas são muito marginais e somente uma parte dos adolescentes a possui (por exemplo, as habilidades relacionadas com ideologia e valores); já outras, são muito mais comuns (por exemplo, as habilidades de produção de conteúdos).

 Agora, a distribuição das habilidades transmídia entre os adolescentes não é regular nem está equilibrada, isto é, nem todos os jovens possuem ou desenvolveram estas habilidades no mesmo nível. Por exemplo, na avaliação de habilidades realizada com os jovens participantes do projeto, percebeu-se um rastro de gênero. As meninas, em termos gerais, usariam meios que enfocam mais os aspectos relacionais, enquanto que os meninos tendem a enfocar mais em aspectos lúdicos.

Como os adolescentes aprendem a fazer coisas com os meios?

Como apontam os pesquisadores do projeto, é evidente que na escola eles não aprendem a passar de fase em um vídeo game nem a administrar um canal no YouTube. Aprender fora da escola não é algo novo, as estratégias informais de aprendizagem estiveram presentes muito antes do surgimento de sistemas educacionais formais -por exemplo, em bibliotecas, igrejas e museus-.Porém, hoje em dia os avanços tecnológicos expandiram as situações tradicionais de aprendizagem ao criar novos espaços nas redes sociais, sites e comunidades online.

Os estudiosos não encontraram novas estratégias de aprendizagem informal durante o estudo, os jovens continuam utilizando estratégias clássicas, como a aprendizagem através da prática, a solução de problemas, a imitação ou o jogo. No entanto, o que sem confirmaram durante a pesquisa é que os jovens estão aplicando estratégias tradicionais de aprendizagem em novos contextos interativos e digitais. Neste sentido, a grande plataforma de aprendizagem informal seria o YouTube, convertida, segundo os autores, na grande escola à distância da nossa época.

O kit do professor

Baseando-se nos resultados científicos da pesquisa, a equipe do Transmedia Literacy elaborou o Kit del Profesor, o qual inclui uma série de atividades didáticas acessíveis e gratuitas destinadas a professores do ensino fundamental.

“Trata-se de propor alternativas para se beneficiar com as habilidades transmídia, desenvolvidas pelos adolescentes fora da escola, através da sua aplicação dentro do sistema educacional formal”.

Esta e outras informações podem ser consultadas no site do projeto Transmedia Literacy .

 

Fontes: