II Jornadas sobre Estudos de Juventude #JóvenesfrentealaCrisis

Paloma Fontcuberta e Juan González-Anleo (membros da equipe do OJI) apresentaram a palestra: “Atitudes Juvenis ante a crise. Uma análise sobre os impactos em dimensões pessoais e sociais”, durante as II Jornadas sobre Estudos de Juventude, celebradas na cidade de Fuenlabrada (Madri), nos dias 16 e 17 de novembro.

Jornadas estudios juventud

Paloma Fontcuberta e Juan González-Anleo

 

Na palestra, foram expostos alguns dos resultados do estudo “Jovens espanhóis (entre dois séculos) 1984-2017”, que publicaremos no final deste ano e que constituem respostas individuais dos jovens perante a crise, em dimensões tais como: atitudes e posicionamento político-social, valores morais e hábitos de lazer e tempo livre.

 

II Jornadas sobre Estudos de Juventude. Respostas juvenis para a crisis…

A Red de Estudios de Juventud y Sociedad, junto com o Centro Reina Sofía sobre Adolescencia y Juventud foram as instituições organizadoras de umas jornadas nas quais pesquisadores de diferentes países da América Latina, apresentaram os seus respectivos trabalhos em relação às diversas dimensões que conformam a realidade juvenil e que se foram afetadas pelo impacto da crise: educação, trabalho, práticas culturais, ativismo juvenil, emigração ou transições e integração social.

Entre as atividades realizadas nas Jornadas, é importante destacar a conferência inaugural oferecida pela professora Rosanna Regillo (ITESO-México), quem apresentou uma completa análise sobre os eixos de pesquisa em juventude que atravessam a América Latina e que nos permitem pensar de maneira conjunta. Entre eles, estão: A pobreza ocasionada, segundo a autora, por um processo de inclusão desigual que reserva para a maioria dos jovens da região, os postos mais baixos na escala laboral; As migrações perigosas que levam pessoas cada vez mais jovens a um estado de migração permanente, no qual a proteção dos Direitos Humanos e de cidadania não encontra lugar na configuração clássica dos estados atuais; A configuração dos atores juvenis, como os jovens acessam a consciência da sua própria voz, a emergência de coletivos de jovens que não estão absorvendo a cultura consumista (mas que assumem a ideia do “eu” autor) ou, ainda, como a Internet e as redes sociais estão possibilitando a produção de presença dos jovens no mundo através das suas próprias interpretações do mesmo.

No quadro de palestrantes “A agência nos estudos de juventude. Explicando as ações individuais perante a crise”Mariano Urraco abordou os efeitos da crise sobre a transição dos jovens universitários para o mundo laboral, no contexto particular de Extremadura como região periférica na Espanha. Concluindo que, diante da falta de oportunidades, a principal estratégia desenvolvida por estes jovens foi a de optar pelo setor público. As pesquisadoras Tatiana Ferreira e María Manuel Vieira refletiram sobre os problemas associados ao conceito de “Ni-Ni” (nem estudo, nem trabalha) e o fracasso da política de garantia juvenil em Portugal e o resto da Europa. Já Pau Marí Klose apresentou os resultados preliminares de um estudo sobre os efeitos da crise na saúde mental dos jovens espanhóis.

Na palestra “Desafios da pesquisa sobre juventudes, diálogos transatlânticos”, pesquisadores com uma ampla experiência, como José Manuel Valenzuela (México), Silvia Borelli (Brasil), Megías Quirós e Benjamín Tejerina (Espanha), refletiram sobre os aspectos que devem guiar o futuro do estudo no âmbito de juventude desde as respectivas perspectivas nacionais. Nesse sentido, abordaram a configuração no México de uma “necro-política” que atrai os jovens mais vulneráveis para a indústria do narcotráfico; dos movimentos como novas fórmulas de participação política no Brasil, assim como dos retrocessos em termos sociais e políticos que está experimentando o país; da necessidade de realizar um tipo de pesquisa na Espanha que devolva o protagonismo para os jovens e que gere impactos diretos sobre desenvolvimento e bem-estar deles etc.

No transcurso das jornadas, também foram apresentadas experiências de inovação social desenvolvidas a nível nacional e local. Por sua vez, o Centro Reina Sofía sobre Adolescencia y Juventud falou sobre as particularidades do “Proyecto Scopio“, uma proposta de índice para medir o desenvolvimento da juventude de maneira comparada entre os diferentes países da União Europeia.